Síndrome de burnout em professores do ensino fundamental e médio no sul do Brasil


A síndrome de burnout (SB) é considerada um fenômeno pela psicologia clínica, que visa identificar aspectos individuais que envolvem os distúrbios psicológicos ocorridos em trabalhadores. Essa síndrome pode ser vista também sob a perspectiva social, quando se entende que os agentes estressores podem ser provenientes do ambiente do trabalho.


Os trabalhadores de todas as áreas estão sujeitos a serem acometidos pela SB, porém os professores estão entre as profissões com maior prevalência para a síndrome, visto que vivenciam cotidianamente situações estressoras, como cobranças por produtividade, altas cargas de trabalho, turmas com alunos em excesso, atividades que precisam ser concluídas em suas residências, carência de convívio social e lazer, pouco reconhecimento profissional, baixos salários e precárias condições de trabalho que favorecem a sobrecarga, o adoecimento e os agravos à saúde. Esses fatores são definitivos para que os educadores tenham maiores probabilidades de desenvolver a SB.


No contexto escolar, um número significativo de professores tem se afastado das salas de aula por estresse, depressão, cansaço, esgotamento físico e emocional e síndrome do pânico. Esses agravos são decorrentes de situações enfrentadas pelos professores em seu cotidiano laboral, tais como o contato direto com as emoções e dificuldades dos alunos, salas de aulas superlotadas, indisciplina dos alunos, baixos salários, extensas jornadas de trabalho, ameaças por parte dos familiares e alunos e a burocracia que dificulta o desenvolvimento das atividades a serem feitas.


O objetivo deste estudo foi comparar a síndrome de burnout com fatores ocupacionais em professores brasileiros do ensino fundamental e médio.


MÉTODOS: Trata-se de um estudo de abordagem quantitativa realizado com 200 professores, aos quais foram aplicados dois instrumentos, sendo o primeiro para caracterização sócio ocupacional e o segundo o Maslach Burnout Inventory para avaliar a síndrome de burnout. Utilizou-se a estatística descritiva e o teste U de Mann-Whitney para comparação de médias.


RESULTADOS: Demonstrou-se que houve diferença significativa entre as médias obtidas referente ao tempo de admissão na instituição, experiência na área da educação, tipo e quantidade de vínculo profissional estatutário e carga horária de trabalho e a síndrome de burnout. Não houve diferença significativa entre os escores obtidos em função do turno de trabalho, em relação ao sentimento de reconhecimento pelo trabalho e pelo nível de ensino que o professor lecionava.


CONCLUSÕES: Neste estudo, se identificou, na comparação realizada entre os indicativos da síndrome de burnout e os fatores laborais, que as variáveis tempo de admissão na instituição e experiência na área da educação, tipo de contrato, carga horária e vínculo de trabalho com outra instituição apresentaram significância estatística, demonstrando, assim, que os professores podem desenvolver a síndrome de burnout. Diante do apresentado, se evidencia a necessidade de planejar e implementar ações que visem prevenir essa síndrome e, por sua vez, maximizar a qualidade de vida no trabalho de todos os envolvidos.


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Fonte: Revista Brasileira de Medicina do Trabalho